01/12/2007
A Elite da Influência
A lista dos brasileiros que mais fazem acontecer



ÉPOCA apresenta as pessoas que foram exemplos de realização, força moral ou influência no Brasil em 2007. São 100 personalidades, das mais diversas áreas, reunidas em sete grupos. No primeiro, Líderes e Reformadores, estão os políticos, juristas e administradores que mostram especial influência ou capacidade de gestão, reforma e inovação na vida pública. A seguir, em Empreendedores e Pioneiros, os empresários e investidores que inovam e lideram nos negócios e na economia, ampliando o mercado e ajudando a internacionalizar a marca Brasil. Em Mídia, os jornalistas, colunistas e empresários da comunicação mais expressivos, formadores de opinião e do senso crítico nacional. No grupo de Benfeitores, como o nome indica, pessoas que usam seu tempo, seu dinheiro ou sua energia para criar modelos de solidariedade social ou voluntariado. Guias e Pensadores reúne acadêmicos, professores e religiosos com notável liderança na sociedade, na pesquisa científica e na divulgação do conhecimento. No grupo de Criadores e Artistas estão os brasileiros cuja criatividade está presente na produção artística e no consumo cultural. Finalmente, em Ídolos e Heróis, as estrelas do esporte e do entretenimento que mais brilharam neste ano.

Confira as listas:

-
Líderes e reformadores
- Empreendedores e pioneiros
- Mídia
- Benfeitores
- Guias e pensadores
- Criadores e artistas
- Ídolos e heróis


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01/12/2007
Líderes & Reformadores
Os nomes fortes da política, da Justiça e da administração

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Uma influência que vai além do cargo


A posição destacada do presidente Lula na política brasileira deriva das duas formas como ele é visto e avaliado. De um lado, está o mito político, representado pelo homem que veio de baixo e chegou à Presidência da República. De outro, o governante, que não só tem enorme popularidade, como incorporou diversas forças políticas e sociais em torno de si, criando um fenômeno chamado lulismo. O lado mitológico é respeitado até pelos adversários. Aqui não há como evitar a paráfrase preferida do momento: “Nunca antes na história política deste país” alguém enfrentou condições tão adversas para conquistar o poder. A biografia de Lula tem elementos para todos os gostos. Para a classe média mais escolarizada, ele é visto como um dos mais importantes líderes da redemocratização brasileira. A população mais pobre o reconhece como um entre os seus, pelas agruras por que passou e pela forma como se comunica. No dia em que venceu a primeira eleição, em 2002, começava o teste de fogo para o mito. Como o próprio presidente já admitiu, quando era oposição, ele dizia muitas bravatas. E a chegada ao poder obrigou-o a um choque de realismo, algo condizente com sua trajetória de pragmatismo tanto no sindicalismo como no Partido dos Trabalhadores.

Mas a passagem do líder mitológico ao governante responsável não foi fácil. Significou aproximar-se de muitas políticas da era FHC. Isso desagradou a boa parte do eleitorado, que se sentiu órfã. Num balanço de acertos e erros, o presidente Lula pode contabilizar, hoje, aos 62 anos, uma grande popularidade, fruto do sucesso de algumas políticas, como as de transferência de renda. Mas a influência do presidente foi além. Entrou no terreno dos “ismos” que povoam a história brasileira. O lulismo é um fenômeno que paira sobre os partidos, ora os agraciando, ora os confundindo e, acima de tudo, os amarrando a uma agenda da qual não conseguem se livrar. Nesse aspecto, Lula se parece cada vez mais com Vargas, não por acaso visto por muitos como o brasileiro mais influente de nossa história.

Fernando Abrucio,
cientista político, professor da Fundação Getúlio Vargas e colunista de ÉPOCA.

Confira a íntegra de
Líderes e reformadores.

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01/12/2007
Empreendedores & Pioneiros
Empresários e investidores que inovam e lideram nos negócios

EMÍLIO ODEBRECHT
Um pioneiro da internacionalização da marca Brasil


No início dos anos 90, fui escalado para uma reportagem especial sobre os planos de Emílio Odebrecht, que recentemente assumira o comando do grupo fundado por seu pai, o legendário Norberto Odebrecht. Fui recebido na suíte de um hotel cinco-estrelas da zona sul carioca pelo próprio Emílio, então com 47 anos de idade (hoje tem 62). Sem muitos rodeios, ele disparou a falar com entusiasmo sobre sua estratégia para os negócios da família. O crescimento futuro da Odebrecht se basearia num tripé: a expansão internacional da construtora, a criação de um braço forte na petroquímica e a abertura de uma frente no setor de celulose.

Os planos para a celulose, é certo, ficaram pelo caminho. Em relação aos outros dois, creio, nenhum acionista da Odebrecht tem do que reclamar de Emílio. Em 15 anos, ele transformou o grupo, dono da Braskem, na principal potência petroquímica do Brasil. Ao mesmo tempo, a empreiteira não só fincou bandeira em canteiros de obras em mais de 30 países, como ajudou a mostrar com seu exemplo a viabilidade do caminho da internacionalização para as demais empresas brasileiras.

Clayton Netz,
jornalista.

Confira a íntegra de
Empreendedores e pioneiros.

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01/12/2007
Mídia
Os jornalistas, colunistas e empresários de comunicação mais expressivos

ROBERTO IRINEU MARINHO
O paranóico improvável


“Só os paranóicos sobrevivem”, escreveu Andy Grove, fundador da Intel e uma das mentes mais agudas do mundo dos negócios em todos os tempos. Grove queria dizer que, sem uma preocupação obsessiva com o mercado, o negócio e as inovações, empresa nenhuma poderia aspirar a uma vida longa. Roberto Irineu Marinho, de 60 anos, presidente das Organizações Globo, é, dentro do conceito groviano, um paranóico improvável. Quase sempre em mangas de camisa, voz baixa, ouvidos abertos no limite aos interlocutores, avesso às luzes do holofote e descentralizador, Roberto Irineu aparenta ser um carioca tranqüilo. Mas como executivo à frente da maior, mais influente e por isso mesmo mais combatida empresa de mídia do país ele cabe com perfeição na frase de Andy Grove. Roberto Irineu Marinho é um competidor obstinado, um cobrador apaixonado da qualidade – tanto no conteúdo de suas empresas de variadas mídias como na gestão administrativa e estratégica de cada uma delas.

Primogênito do jornalista Roberto Marinho (1904-2003), o incansável empreendedor que construiu um império multimídia a partir de um pequeno jornal fundado pelo pai, Irineu, Roberto Irineu comanda as Organizações Globo ao lado dos irmãos João Roberto e José Roberto. João Roberto é o editor da Globo e também o interlocutor da empresa diante do mundo político. José Roberto cuida sobretudo da ação social da Globo, um trabalho no qual se destaca a Fundação Roberto Marinho. Os três irmãos, que o pai pôs para trabalhar no jornal O Globo desde garotos, são igualmente informais, francos, cultores de princípios e despojados dos símbolos conspícuos do poder. Mas quem os conhece sabe que eles são competidores por excelência, paranóicos no sentido dado à palavra por Andy Grove – o que ajuda a entender a longa e firme liderança das Organizações Globo na mídia brasileira.

Confira a íntegra de
Mídia.

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01/12/2007
Benfeitores
Pessoas que usam seu tempo, dinheiro e energia para criar modelos de solidariedade

MILÚ VILLELA

CAUSA - É a grande promotora da causa do voluntariado no país. Uma das mulheres mais ricas do país (é acionista do Banco Itaú), usa sua capacidade de mobilizar recursos e pessoas em prol de suas causas, unindo poder econômico e poder político

IMPACTO - Comanda o Instituto Faça Parte, que, desde 2001, patrocina iniciativas de voluntariado. Milú encabeça o projeto Todos pela Educação, uma articulação de benfeitores com o objetivo de erradicar o analfabetismo no Brasil até 2022. A idéia é criar um projeto de longo prazo que se torne uma política permanente do Estado brasileiro

Confira a íntegra de
Benfeitores.

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01/12/2007
Guias & Pensadores
Acadêmicos, professores e religiosos notáveis por sua liderança

EDUARDO GIANNETTI
Um economista e filósofo com intelecto abrangente na academia e uma roupagem pop na televisão


Quando Eduardo me chamou para gravar com ele os programas “O Valor do Amanhã”, baseados em seu livro homônimo – série exibida no Fantástico, da Rede Globo –, sabia que seria desafiador. Procuramos não abrir mão do conteúdo complexo e da perspectiva sofisticada do livro, mesmo falando para gente do Brasil todo e de vários níveis de formação. Textos de Schopenhauer foram mostrados para 50 milhões de pessoas na apresentação do ator Matheus Nachtergaele. Caetano Veloso, amigo de Eduardo, Tom Zé e intelectuais importantes como a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha e o biólogo americano Edward Wilson também participaram. O texto de Eduardo é muito bom, tem fluidez e humor fino, que tornam seus escritos palatáveis a um público mais amplo. Além da visão original da economia, ele enxerga todas as questões com o olhar da filosofia. Sua formação é muito vasta e livre. Eduardo, de 50 anos, não é um economista fechado em uma especialidade. Está ligado a várias áreas do conhecimento, de maneira intensa. Ama literatura, gastronomia, bons vinhos e ouve muito Mozart. Escreveu poesia durante muito tempo. É apaixonado pela cultura popular brasileira. Tem uma grande bagagem para pensar o Brasil com liberdade. Isso o diferencia.

Isa Ferraz,
socióloga e cineasta, dirigiu a série “O Valor do Amanhã”, protagonizada por Giannetti.

Confira a íntegra de
Guias e pensadores.

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01/12/2007
Criadores & Artistas
Os destaques da produção artística e cultural

ALEX ATALA
Um dos 50 melhores chefs do mundo


No meio da gastronomia, os grandes talentos sempre acabam se conhecendo. Foi assim meu encontro com Alex Atala. Alex, de 39 anos, representa o que há de melhor na gastronomia brasileira, e isso é o que ele tem de mais importante. (Em 2007, pelo segundo ano consecutivo, a revista inglesa Restaurant Magazine incluiu seu restaurante, o D.O.M., entre os 50 melhores do mundo.) Uma vez o Alex convidou meu filho, Thomas, para trabalhar com ele num evento que faria na Espanha. Isso mostra a generosidade do Alex. Considero importante contar que isso não foi só com meu filho. Ele age assim com todos os jovens chefs.

Claude Troisgros,
chef.

Confira a íntegra de
Criadores e artistas.

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01/12/2007
Ídolos & Heróis
Estrelas do esporte e do entretenimento que brilharam neste ano

IVETE SANGALO
A campeã brasileira da alegria


Eu a chamo de Ivetão por sua grandeza e porque, quando ela chega, chega mesmo, e preenche todos os espaços. Lembro-me de Ivete Sangalo no começo de carreira, num dos trios elétricos de Salvador. Alguém disse: “Esta moça é das que fazem do Carnaval da Bahia um palco”. Ivete, de 35 anos, é de Juazeiro, terra de João Gilberto. Ela é toda música, de um jeito visceral e profundo. Também acho importante esse lado raízes, de quem vem de uma família de músicos. Ela é de uma geração que não nega o regional, mas não deixa isso ofuscar o contemporâneo. Bem baiana e bem Nordeste, mas também universal, cosmopolita. É uma flecha, rápida, cheia de energia, aquela alegria toda. O Expresso 2222, meu trio elétrico, vai comemorar dez anos de existência, e a Ivete não poderá ir à festa por causa de compromissos de trabalho. Vai fazer uma falta danada!

Gilberto Gil,
ministro da Cultura.

Confira a íntegra de
Ídolos e heróis.

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